Pensei muito, mesmo muito se haveria de escrever sobre isto ou não. Sei que tenho um blog, mas tento manter uma distância da minha vida pessoal, só que hoje vi um texto lindo sobre como pomos a nossa vida em espera por causa do trabalho e achei que tinha de falar.
Como muitas sabem estive ausente durante uns meses. Houve um motivo para isto, estive doente. Algo grave, mas controlável, mas precisei de me afastar de tudo para meter as ideias em ordem.
Em Novembro, e depois de durante meses pôr em esperar exames que já tinha sido avisada por dois médicos que devia fazer (sim 2, e eu burra para não deixar o meu antigo patrão na mão não faltei para tratar de mim), finalmente fui ser observada por um dermatologista. Tinha um sinal nas costas que estava enorme e teve mesmo de ser removido.
No dia 04/01 recebo uma chamada, o médico queria falar comigo. Caiu-me tudo. Para me chamarem ao consultório não era bom. Lá fui eu ao hospital dos Capuchos, o médico explicou-me que o que me tinha removido era um melanoma de uma espessura que era necessário vigia. Carta fechada, fui para o IPO. Neste período de tempo, que nem 24h durou, o que mais pensei foi eu tenho uma filha, não me posso ir abaixo. Mas como devem de saber, eu estou sozinha com a Laura, e ter de ser forte sem nunca poder mostrar parte fraca a ninguém é muito difícil. As famílias por norma têm uma pessoa que dá apoio, e eu tenho mas estão a 10 mil km de distância. Mas fui o mais forte possível. Chorei? Sim, sozinha à noite para que nem a minha filha nem a minha irmã que só tem 20 anos (e que foi o meu apoio, se bem que tentei não a sobrecarregar) se apercebessem do medo que tinha. Estava a tentar ser forte e pensar que ia sair disto, mas o pânico de pensar que a minha filha ia crescer sem mãe me assombrava.
Aqui a coisa toma outro rumo, o IPO... quando ouvimos isto é como se nos dissessem "sim, tu tens cancro". Mas era um melanoma, o problema está que os melanomas muitas vezes não damos por eles, não ligamos. Deixamos estar porque são só umas alterações.
Fiquei a aguardar consulta, depois fui chamada para observação, depois para fazer análises e consequentemente para ser operada novamente.
Fui operada em meados de Março, neste período de 2 meses mudei completamente a minha alimentação. Não havia açúcares, tentava não me stressar, comer como deve ser, vocês entendem ser saudável.
Lá fui operada, a equipa foi para lá de paciente e espectacular. Sabiam que estava nervosa, sabiam que tenho uma menina pequena, e foram tão meigos. A enfermeira que me acompanhou para o bloco, que me viu a tremer de medo (nunca eu tinha levado anestesia, nem no parto) a acalmar-me até festas na cabeça me fez. O enfermeiro que me fez rir depois da operação, as auxiliares que me perguntavam 30 coisas só para não pensar no que se passava. Obrigada, o meu mais sincero e profundo obrigada. Vocês fazem-no todos os dias e acho que não têm noção do quanto tocam na vida das pessoas que estão convosco.
Mas enfim, as análises vieram boas, nem sinais da doença na pele. Agora é acompanhar mais uns sinais estranhos que se tenha, mas felizmente o susto maior já passou.
Lembrem-se nada nem ninguém deve ser posto à frente da vossa saúde. Precisam dela, senão como esperam ver os vossos filhos crescer?
quinta-feira, 31 de maio de 2018
terça-feira, 29 de maio de 2018
A miúda não fala? - Parte 3
Capítulo 3
Terapia da fala
Vamos ao que interessa. Sim, começámos a terapia. Depois de ouvir muita gente dividida em "ela não precisa", e "devias de a levar a um terapeuta", além dos olhares que recebemos quando a peste abre a boca na fila do supermercado, decidi ouvir o meu coração e cérebro de mãe (e principalmente a minha própria mãe) e levar a criança à terapia da fala.
Não gostei do médico, sendo o mais honesta possível, o rapaz não me cativou, e por mim quero dizer a peste. Mandou-nos fazer uma série de exames, auditivos e para descartar autismos, mas não a observou como eu achava que ela devia ser observada (eu que nem médica sou).
Fomos a outra, procurei imenso, passei horas a ler e a ver comentários, e encontrei-a:
a Drª Joana
Adorei!
Não me tratou a miúda por você, pega-se com ela se tem de se pegar e principalmente a Laura gosta de ir à terapia. Ela é como é, não é cá daqueles médicos com floreados, assim que entramos no consultório parece que é uma amiga que nos entende e percebe que a minha filha não se exprime bem.
Sim, porque há muito boa gente que se mete com a miúda e assim que ela fala (na linguagem dela) as pessoas parece que pensam que a minha filha tem alguma doença infecto-contagiosa. Não. Ela só não fala bem, ou melhor, não fala praticamente (mas já me estou a deslocar do tema, isso fica para outro dia).
Vamos uma vez por semana, a peste adora. Adora ir brincar com a casinha, os puzzles. Não pensem que é um conto de fadas, não é. Ela ao fim de 20 minutos de terapia começa a ficar farta e tem de ser distraída com outras coisas.
Continua a não falar igual a uma criança de 3 anos, mas já comunica, já pede, já me olha nos olhos...isso era essencial.
Obrigada à Dra Joana, a sério, do fundo do coração. Ela entende a nossa aflição, acalmou-me já mais do que uma vez em situações que eu achava que eram fulcrais e afinal não são.
Afinal, nós pais complicamos mais do que devíamos...
a Drª Joana
Adorei!
Não me tratou a miúda por você, pega-se com ela se tem de se pegar e principalmente a Laura gosta de ir à terapia. Ela é como é, não é cá daqueles médicos com floreados, assim que entramos no consultório parece que é uma amiga que nos entende e percebe que a minha filha não se exprime bem.
Sim, porque há muito boa gente que se mete com a miúda e assim que ela fala (na linguagem dela) as pessoas parece que pensam que a minha filha tem alguma doença infecto-contagiosa. Não. Ela só não fala bem, ou melhor, não fala praticamente (mas já me estou a deslocar do tema, isso fica para outro dia).
Vamos uma vez por semana, a peste adora. Adora ir brincar com a casinha, os puzzles. Não pensem que é um conto de fadas, não é. Ela ao fim de 20 minutos de terapia começa a ficar farta e tem de ser distraída com outras coisas.
Continua a não falar igual a uma criança de 3 anos, mas já comunica, já pede, já me olha nos olhos...isso era essencial.
Obrigada à Dra Joana, a sério, do fundo do coração. Ela entende a nossa aflição, acalmou-me já mais do que uma vez em situações que eu achava que eram fulcrais e afinal não são.
Afinal, nós pais complicamos mais do que devíamos...
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