Íamos na rua, 9 da manhã, ela estava bem não estava a fazer nada e o cão do nada deu-lhe uma patada. O que vi primeiro foi sangue, imenso sangue. De seguida percebi que o sangue vinha do olho e ia ficando-me ali. Peguei nela e com a minha tia fomos a correr para o posto que era perto. Chegando ao posto, ela ainda chorava, entramos logo para a pequena cirurgia. A médica (a quem eu tenho de agradecer por ter sido tão amavel) diz-me com toda a calma que vamos ter de ir para Faro. Perguntou se eu queria um calmante, não quis acalmei-me sozinha, chamou a ambulância e lá fomos nós.
Chegando a Faro ela foi directa a triagem. O enfermeiro da triagem foi sempre amável e meigo com as duas. Não faço ideia de como eu parecia as pessoas mas devia Meyer medo. A roupa cheia de sangue, nervosa. E a Laura igual. Limpam-lhe a ferida e chamam a oftalmologia. O médico vem, eu tive de sair da sala. Enrolaram a Laura num lençol para que ela ficasse quieta, e observaram-na. O rasgão na pálpebra não tinha atingido o canal lacrimal e o olho aparentava estar bem, mas eu ia ter de ir para Lisboa. Não faziam cirurgias de oftalmologia sem marcação, e a menina não podia esperar.
14:30 saímos de Faro. Ela dormiu no caminha e chegámos a Lisboa por volta das 17:30. Entro para a triagem novamente. A minha família ficou à espera cá fora, e lá dizem que ela tem de ser vista pelo oftalmologista e cozida pelo cirurgião plástico. Vamos ao oftalmogista mas ele não consegue fazer bem o exame, por esta altura a Laura estava farta de médicos, e não saía do meu colo. Diz que o olho aparenta estar bem. Vamos para a pediatria esperar pelo cirurgião plástico. Ele observa-a e manda levá-la para o S.O. para ser cosida. Entro com ela às 19, a custo conseguem dar a anestesia, e dizem-me que tenho de sair. Esperei, esperei, esperei e nada. Pergunto por ela, não adormecia, estavam à espera. Perto das 21 dizem-me que está, mas ela nunca chegou a adormecer. Ainda chorava ligeiramente quando a vejo. Peguei-lhe ao colo apesar dos fios e sentei-me com ela na cadeira. 22 e qualquer coisa consegui finalmente que ela dormisse. A
Minha família foi para casa, eu fiquei ao lado dela numa cadeira no S.O.
Perto da 1 ela tinha fome, baixinha comido nada desde as 07:30 da manhã. Deram-me um biberon com leite, ela bebeu de seguida. Acordou as 3 para lhe darem o medicamento, e comeu bolachas, bebeu muita água e adormeceu de novo. Acordou as 7, alegre e a querer brincar. Ficou com a alcunha de a fera no hospital. Deram-lhe alta, e às 20 horas já estávamos de novo em casa.
Ela está bem, o olho está negro e um pouco inchado. Mas ela está bem. Não vou entrar em pormenores sobre o cão porque o dono dele não precisa disso também. A minha filha neste momento está bem e feliz e é o que importa. O resto foi um pesadelo que ficou para trás. Não vou pôr fotos dela por uns tempos porque ainda choca um pouco, e custa-me, principalmente porque nestes 2 dias toda a gente apontava, olhava e fazia perguntas sobre o que tinha acontecido. Peço que entendam.
Obrigada a toda a equipa que nos atendeu, nas urgências daqui, no hospital de Faro, e no de Santa Maria. Obrigada aos bombeiros que nos trabsportaram, e principalmente ao bombeiro que nos levou para Lisboa por ter ligado a perguntar por ela. Só tenho de vos agradecer a todos pela calma e paciência que tiveram.
A vocês devo a vida dela 💖

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