Já sei o que vocês me vão dizer: que eu não tenho culpa. Que não tinha como adivinhar o que ia acontecer. Que a vida é assim... Sim eu sei isso tudo, mas adivinham? Eu sinto que a culpa é minha.
Quando a Lau nasceu eu prometi-lhe que a ia proteger de tudo. Que não a ia deixar nunca. Ia impedir que algum mal lhe acontecesse. Comigo estava segura. E isso não aconteceu. Ao contrário, a miúda teve de ficar uma noite no hospital pelo que eu só posso descrever como "falha" maternal. Eu estava ao lado dela e não consegui impedir nada.
Por isso sim, sinto que como mãe falhei. Falhei no meu único propósito, proteger a minha filha. Porque é isso que as mães fazem, as mães afastam o mal, são a segurança dos seus filhos. Para quem é que eles correm quando estão aflitos? Não é para a tia que dá chupas, é para a pessoa que sentem que lhes dá segurança, a mãe.
Ela continua a correr para mim, vá lá, ainda sente que nos meu braços está segura. Mas eu vou sempre sentir que falhei. Esta foi uma semana complicada. Imensos médicos: domingo, segunda, quarta, sexta... a miúda não pode ver ninguém de bata que chora! Foi a pior semana da minha vida, um pesadelo autêntico. Cada vez que olhava para ela continha-me para não chorar, estava ali a minha falha, a filha ia ficar marcada para sempre por minha culpa. Ainda que ela não se vá lembrar disto tudo, e comece a dormir mais tranquila, eu vou sempre saber e lembrar-me do que ela passou.
Sim sim eu sei, não foi culpa minha, teoricamente isso bate tudo certo. Mas como mãe, vou sempre sentir que falhei.
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