O meu instinto automático foi jogar as mãos à barriga. Depois de uma série de pensamentos meio descabidos, estava em choque, caí em mim. Pensei "somos 1". Eu tinha alguém a crescer em mim. Tinha outro coração a bater junto com o meu. O calor e a onda de amor que me acertou naquele momento foi tal que não vos sei explicar, parecia que mais nada no mundo era importante. O tempo parou ali.
Tive de parar 5 minutos e meter as ideias em ordem, não conseguia parar de sorrir e de olhar para o teste. Felizmente ainda tudo dormia. Tinha aqueles 5 minutos para me preparar psicologicamente. Tinha 5 minutos para sermos só nós. Só eu e a minha ervilha.
Pensei em tudo o que tinha de fazer, o principal era saber de quanto tempo ao certo estava. Tinha de saber se estava tudo bem com o bebé. O meu bebé, o bebé que crescia dentro de mim. Eu estava a gerar uma vida, bolas, eu era importante! Foi assim que me senti, a pessoa mais importante e amada de sempre. Acho que foi a primeira vez na minha vida que senti amor por mim mesma. Ali soube o que era auto-estima.
Agora tinha de ter cuidado, eu já não estava sozinha. Nada do que fizesse afectava-me só a mim. Contei a toda a gente que estava em casa. Acordei-os mesmo. Durante a manhã falei com familiares, a minha mãe contou a uns, eu a outros. Era uma alegria imensa. Nunca me tinha sentido assim.
Estou grávida. Disse-o o dia inteiro a quem me ligasse. Quer dizer, ao meu pai disse que ele ia ser avô. Acho que ele levou um bocado a assimilar a coisa, mas depois dez-se luz. Mas nenhuma reacção bate a da minha irmã que primeiro se agarrou a mim e depois soltou-me e ficou a olhar para mim como quem diz "Agora não te posso agarrar com força". E chegou à escola deu um grande grito "Vou ser tia"...
Foi um dia incrível sem dúvida, mas mais 244 dias ainda estavam por vir.
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