quinta-feira, 31 de maio de 2018

Melanoma

Pensei muito, mesmo muito se haveria de escrever sobre isto ou não. Sei que tenho um blog, mas tento manter uma distância da minha vida pessoal, só que hoje vi um texto lindo sobre como pomos a nossa vida em espera por causa do trabalho e achei que tinha de falar.

Como muitas sabem estive ausente durante uns meses. Houve um motivo para isto, estive doente. Algo grave, mas controlável, mas precisei de me afastar de tudo para meter as ideias em ordem.
Em Novembro, e depois de durante meses pôr em esperar exames que já tinha sido avisada por dois médicos que devia fazer (sim 2, e eu burra para não deixar o meu antigo patrão na mão não faltei para tratar de mim), finalmente fui ser observada por um dermatologista. Tinha um sinal nas costas que estava enorme e teve mesmo de ser removido.

No dia 04/01 recebo uma chamada, o médico queria falar comigo. Caiu-me tudo. Para me chamarem ao consultório não era bom. Lá fui eu ao hospital dos Capuchos, o médico explicou-me que o que me tinha removido era um melanoma de uma espessura que era necessário vigia. Carta fechada, fui para o IPO. Neste período de tempo, que nem 24h durou, o que mais pensei foi eu tenho uma filha, não me posso ir abaixo. Mas como devem de saber, eu estou sozinha com a Laura, e ter de ser forte sem nunca poder mostrar parte fraca a ninguém é muito difícil. As famílias por norma têm uma pessoa que dá apoio, e eu tenho mas estão a 10 mil km de distância. Mas fui o mais forte possível. Chorei? Sim, sozinha à noite para que nem a minha filha nem a minha irmã que só tem 20 anos (e que foi o meu apoio, se bem que tentei não a sobrecarregar) se apercebessem do medo que tinha. Estava a tentar ser forte e pensar que ia sair disto, mas o pânico de pensar que a minha filha ia crescer sem mãe me assombrava.

Aqui a coisa toma outro rumo, o IPO... quando ouvimos isto é como se nos dissessem "sim, tu tens cancro". Mas era um melanoma, o problema está que os melanomas muitas vezes não damos por eles, não ligamos. Deixamos estar porque são só umas alterações.
Fiquei a aguardar consulta, depois fui chamada para observação, depois para fazer análises e consequentemente para ser operada novamente.

Fui operada em meados de Março, neste período de 2 meses mudei completamente a minha alimentação. Não havia açúcares, tentava não me stressar, comer como deve ser, vocês entendem ser saudável.
Lá fui operada, a equipa foi para lá de paciente e espectacular. Sabiam que estava nervosa, sabiam que tenho uma menina pequena, e foram tão meigos. A enfermeira que me acompanhou para o bloco, que me viu a tremer de medo (nunca eu tinha levado anestesia, nem no parto) a acalmar-me até festas na cabeça me fez. O enfermeiro que me fez rir depois da operação, as auxiliares que me perguntavam 30 coisas só para não pensar no que se passava. Obrigada, o meu mais sincero e profundo obrigada. Vocês fazem-no todos os dias e acho que não têm noção do quanto tocam na vida das pessoas que estão convosco.
Mas enfim, as análises vieram boas, nem sinais da doença na pele. Agora é acompanhar mais uns sinais estranhos que se tenha, mas felizmente o susto maior já passou.

Lembrem-se nada nem ninguém deve ser posto à frente da vossa saúde. Precisam dela, senão como esperam ver os vossos filhos crescer?

terça-feira, 29 de maio de 2018

A miúda não fala? - Parte 3

Capítulo 3
Terapia da fala


Vamos ao que interessa. Sim, começámos a terapia. Depois de ouvir muita gente dividida em "ela não precisa", e "devias de a levar a um terapeuta", além dos olhares que recebemos quando a peste abre a boca na fila do supermercado, decidi ouvir o meu coração e cérebro de mãe (e principalmente a minha própria mãe) e levar a criança à terapia da fala.
Não gostei do médico, sendo o mais honesta possível, o rapaz não me cativou, e por mim quero dizer a peste. Mandou-nos fazer uma série de exames, auditivos e para descartar autismos, mas não a observou como eu achava que ela devia ser observada (eu que nem médica sou).

Fomos a outra, procurei imenso, passei horas a ler e a ver comentários, e encontrei-a:
a Drª Joana

Adorei!
Não me tratou a miúda por você, pega-se com ela se tem de se pegar e principalmente a Laura gosta de ir à terapia. Ela é como é, não é cá daqueles médicos com floreados, assim que entramos no consultório parece que é uma amiga que nos entende e percebe que a minha filha não se exprime bem.
Sim, porque há muito boa gente que se mete com a miúda e assim que ela fala (na linguagem dela) as pessoas parece que pensam que a minha filha tem alguma doença infecto-contagiosa. Não. Ela só não fala bem, ou melhor, não fala praticamente (mas já me estou a deslocar do tema, isso fica para outro dia).

Vamos uma vez por semana, a peste adora. Adora ir brincar com a casinha, os puzzles. Não pensem que é um conto de fadas, não é. Ela ao fim de 20 minutos de terapia começa a ficar farta e tem de ser distraída com outras coisas.
Continua a não falar igual a uma criança de 3 anos, mas já comunica, já pede, já me olha nos olhos...isso era essencial.
Obrigada à Dra Joana, a sério, do fundo do coração. Ela entende a nossa aflição, acalmou-me já mais do que uma vez em situações que eu achava que eram fulcrais e afinal não são.

Afinal, nós pais complicamos mais do que devíamos...

sexta-feira, 16 de março de 2018

Intolerância à Lactose

Por volta de Novembro de 2016 descobri que a miúda tinha intolerância à lactose.
Agora, isto pode parecer um bicho de sete cabeças (e admito que não é pêra doce), mas também às vezes complicamos mais do que na realidade é.

Mas o que é?
Basicamente, não produzimos ou produzimos em pouca quantidade a enzima lactase (que nos ajuda a digerir a lactose).
Não produzindo esta enzima ficamos inchados, com gases, mal dispostos e diarreia (atenção, pode-se apresentar só um dos sintomas).
Pode-se ingerir alguma quantidade de lactose sem se apresentar sintomas, mas isso depende de pessoa para pessoa.

A Laura por exemplo consegue comer umas colheres de gelado, ou comer queijo e só após uma certa quantidade ela apresenta os sintomas.


Causas?
Vou citar do site http://vitalitecentromedico.com.br/intolerancia-lactose/
  • Em algumas pessoas, o intestino delgado fabrica menos lactase a partir dos dois anos de idade, o que pode levar à intolerância à lactose.Outras pessoas começam a apresentar sintomas mais tarde, na adolescência ou vida adulta.
  • Infecção, doenças ou outros problemas que danificam o intestino delgado podem diminuir os níveis de lactase. Baixos níveis de lactase podem torná-lo intolerante ao leite  e derivados até o seu intestino delgado se recuperar.
  • Bebês prematuros podem ser intolerantes por um curto período de tempo após o nascimento.
  • Em uma forma rara de intolerância, o intestino delgado produz pouca ou nenhuma lactase desde o nascimento.

O que fazer?
Mudar a dieta. Trocámos o leite de vaca por leite de avelã, soja, arroz... Só come queijo sem lactose (a miúda é fã de queijo), gelado sem lactose, e agora a grande dificuldade bolachas sem lactose. Sim amigos dificuldade porque só encontrei 2 tipos de bolachas para crianças sem lactose num dos nossos hipermercados. E muitas das vezes além da lactose vêm carregadas de açúcar.

A maior dor de cabeça são os snacks. Imaginem a coisa: fomos ao Zoo, queríamos comer gelado, obviamente que não íamos comer gelado e a miúda ficar a olhar para nós. Qual foi a outra opção? Não comer (isto porque existem os de gelo mas eu não sou grande fã, novamente açúcar em excesso). Já começa a haver alguma escolha sou sincera, mas não em todo o lado. Por exemplo nos centros comerciais já consigo comprar um iogurte gelado (frozen iogurt) daqueles das carrinhas. E ela adora.

Passei a ter de ler as embalagens no supermercado (peço desculpa a quem já esteve mais de 5 minutos parado atrás de mim no corredor das bolachas enquanto eu lia minuciosamente as embalagens), a ter de comprar natas sem lactose, a ter de dizer "ela não pode comer isso" a toda a gente que me diz "oh pode sim". Basicamente passei a ser mais chata do que já era.

Existe toda uma nova gama de produtos sem lactose, muitas vezes acompanhados do sem glúten (que em excesso também não faz bem nenhum, eu ando muito apologista do em excesso não), o problema? É tudo caro, imensamente caro. Cereais custam 5€, bolachas conforme o pacote mas também não são baratas, e nem falemos dos leites. 2/3€ um pacote de leite vegetal.

Existem no entanto (mais para adultos ok?) uns comprimidos que se podem tomar caso queiramos comer algo que contenha lactose.

Não é uma coisa difícil de se compreender, e também não é o fim do mundo. Basta ter atenção. A dieta muda, e temos de ter paciência e explicar à pestinha de 3 anos o porquê de não poder comer um sundae de caramelo. Mas sendo honesta, às vezes lá lhe dou umas colheres do que ela pede. Contrabalanço depois uma dieta com poucas fibras.

quarta-feira, 14 de março de 2018

Prometo que isto não volta a acontecer!

Não se admite, é incompreensível que eu leve meses para voltar ao blog.

Tenho imensas desculpas (e até bem aceitáveis digo já), mas não posso fazer isto. Tantos meses.

Ora desde Setembro o que é que aconteceu?

  • A Laura continua sem falar;
  • Despedi-me,
  • Comecei a trabalhar noutro lado,
  • Tivemos de nos adaptar a uma nova rotina porque agora levo mais tempo para chegar a casa,
  • Ficámos doentes,
  • Ficámos boas,
  • Ficámos doentes outra vez,
  • Mudámos de sala na escola (está uma crescida - aliás este dia vou fazer um post sobre ele, foi um dia estranho para mim),
  • Vimos o Pai Natal,
  • Fizemos 3 aninhos,
  • Caímos, e levantámo-nos a seguir,
  • Continuamos a comer tudo o que nos aparece à frente,
  • Começámos a terapia da fala,
  • A mãe continua doente mas já se está a pôr bem,
  • Mudámos a alimentação lá de casa,
  • Continuamos a mesma peste.
É um pequeno resumo dos últimos 6 meses. Foram 6 meses felizes, com muitas emoções e que prometo que vos vou pondo a par deles com tempo. Não vou escrever diariamente (vamos lá a ser realistas malta...) mas vou escrevendo sempre que possa.





quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Devia esticar

Ai devia devia. Devia esticar a roupa dela e o meu dinheiro. Isto não há carteira que aguente.
A peste vai mudar de sala, vai para a sala dos crescidos da escola dela (antes que alguém pense que a miúda já fez 5 anos, não, na escola dela só
vai até aos 3).

Ora, e assim sendo, e porque o tempo está bipolar, decidi ir ver o que servia. Cheguei a uma conclusão: os ganchos do cabelo!!!!
E mesmo assim não são todos porque ela tem uma juba que Jesus...

Mas a sério, o tempo mudou, achei melhor ela parar de ir de sandálias as 08:30 para escola. Fui ver os ténis, não havia ténis que dessem.
Estava a ficar fresco estas noites, fui vestir-lhe um casaco, parecia que era da prima mais nova!

Lá fui eu dar um salto a primark e trazer meia dúzia de blusas.
Sou honesta, também passei na h&m mas só porque adoro aquilo, nem me atrevi a ir a Zara senão gastava tudo! 
Mas um casaco, umas blusas e 2 pacotes de cuecas depois (vocês já viram bem as cuecas para as meninas na h&m??? Aquilo é qualquer coisa), fiquei mais pobre, mas já estava equipada pra 3 dias.

Sim só isso, porque esta miúda suja mais roupa do que eu consigo lavar...

Ainda compramos uns ténis para passeio e uns para a escola. Ah sim, não sou maluca. Olha ela andar com os ténis da escola ao fim de semana? C'horrore!!

Conclusão, ainda este mês lá volto eu as lojas todas para comprar mais roupa.
Não é só a mãe que sofre, a carteira também!!!!!





domingo, 20 de agosto de 2017

Largar a Chucha

Não está a ser fácil. Depois do desfralde, a conselho do terapeuta da fala e por estar a perceber que ela está aos poucos a ficar com os dentes tortos, decidi que era altura de ela largar a chucha. Preferia claro que a decisão viesse dela mas como não vem... a muito custo lá a escondi.

Não está a correr como pensei. Com a chucha ela deitava-se e passado meia hora adormecia, agora vira-se 50 vezes na cama, chora, há drama na hora de dormir (mais à noite), acorda 4 a 5 vezes à procura, e a pior parte? Adormece tarde muito tarde, e acorda ainda não são 7 de manhã (são 07:30 ela está a tomar o pequeno-almoço e eu aqui).

Espero que isto passe, porque para ser honesta estou a começar a arrenpeder-me de lha ter tirado. As noites mal dormidas não estão a ser fáceis e as poucas horas começam a mostrar os seus efeitos. Nela não claro, mas em mim.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Voltámos

Olá!!

Ao fim de 6 meses ausente (6? 7? não tenho a certeza), decidi dar uma volta no blog e voltar. Mudámos o nome, mudámos o look, basicamente fizemos reset.

Passámos uma fase complicada depois do ataque do cão , não tanto ela confesso. Não tinha disposição para escrever, não me apetecia sair. E isto porque a minha filha tinha uma cicatriz enorme no olho. As pessoas olhavam e apontavam, faziam perguntas indelicadas, não estou a falar de curiosidade isso eu entendo mas de coisas como me perguntarem se a miúda foi atropelada!

Entretanto também comecei a trabalhar, ela começou na escolinha, e o tempo era cada vez menos. Mas como eu nunca fui de baixar os braços, e recebi tantas mas tantas mensagens a perguntar quando podia pelo menos escrever no blog...vamos lá voltar com isto.

 Portanto espero que se divirtam com os meus devaneios (acreditem ainda são alguns) e as traquinices da minha peste.

Neuza

sábado, 17 de dezembro de 2016

Tintas para o banho

Aqui há uns tempos publiquei uma foto da Laura no banho, com uma tinta vermelha. Perguntaram-me como se fazia, por isso achei melhor criar um post sobre isso. A receita foi-me dada por uma amiga minha, mas o pequeno dela não gostou muito da ideia, por isso é melhor testarem se eles acham piada ou não antes de fazerem garrafas disto.

100ml de água morna
4 colheres de farinha
Corante a escolha
E é só misturar. Fiz umas quantas de corante vermelho. Sai lindamente da banheira sem ser preciso esfregar.

Divertem-se eles e vocês com as reações.




Depois disto foi banhoca, a tinta também sai bem de cima dos miúdos 😉

terça-feira, 15 de novembro de 2016

Adaptação à creche

Começou, posso-vos dizer que andei semanas nervosa com isto. Só de saber que ia estar horas longe da miúda ficava nervosa, mal-disposta mesmo.

Mas tinha de ser, ela tem de iniciar a escola, e eu tenho de voltar a trabalhar. Então ontem lá começou com a adaptação. Ficou 2 horas, correu bem. Assim que a deixei foi a correr para a sala dela (já sabia que estava cheia de brinquedos das visitas que fizemos) não me deu um beijo e nem perguntou por mim. Seria de esperar que uma criança pouco dada a estranhos e habituada à mãe em exclusivo por 21 meses fosse estranhar não é? Mas não! Nada. Só ficou chateada, e estava naquele "choro" dela quando é contrariada quando cheguei. Colinho e mimo e passou.

Hoje de manhã ficou bem novamente, mas de novo não tive direito a beijo! Quando viu os colegas a correr começou a rir-se, mas quis a chucha que a educadora tinha na mão. A chucha é o miminho. Depois de almoço ligaram a dizer que a podia ir buscar. Chegando lá a filha estava a brincar, passou por mim e quando viu "Olha mamã andas aqui" (sim amigas isto sou eu a pensar que é o que a minha filha me dirá) quis colo.

Comeu lindamente, um dos meus medos era esse. E comeu sozinha como andava-mos a treinar. Claro que esta última parte se nota na roupa não é...chegou a casa a dormir.

Amanhã será a parte mais complicada, a soneca. Mas parece que a minha filha gosta de contrariar o meu pensamento e deixar-me mal vista, portanto se calhar a coisa até corre bem!

terça-feira, 25 de outubro de 2016

E se fosse comigo?

Esta história do bebé que desapareceu mexeu muito comigo. Mexeu sim.

Fiquei a pensar imenso tempo ontem "O que é que eu fazia?".

Todas nós mães já deixámos os miúdos sozinhos nem que fossem 30 segundos para ir a casa-de-banho, adiantar o jantar, atender o telefone...todas! Não acredito em melhor mãe do que, não. Acredito que há mulheres que nasceram para ser mães e mulheres que não o mereciam tão pouco.

Mas agora vamos lá a ver, se fosse comigo? A Laura já ficou sozinha a brincar na sala, não na rua, mas na sala. Podia acontecer. O muro daqui de casa não é assim tão alto, alguém podia entrar. A agonia que aquela mãe sentiu não me deixou descansar bem a noite toda. Fiquei a olhar para a minha filha imenso tempo, porquê?

Porque é que estas coisas acontecem? Eles são seres inocentes, quem deve sofrer somos nós pais, não os filhos...O que aquele menino passou sozinho a noite toda, fico mal disposta só de pensar.

Graças a Deus encontraram-no, e está bem (a história não faz 100% de sentido, mas isso agora não é o importante). Esta história teve um final feliz, e não sei quanto a vocês, mas eu não desviei os olhos da minha filha hoje!

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Quando sentes que falhaste

Já sei o que vocês me vão dizer: que eu não tenho culpa. Que não tinha como adivinhar o que ia acontecer. Que a vida é assim... Sim eu sei isso tudo, mas adivinham? Eu sinto que a culpa é minha.

Quando a Lau nasceu eu prometi-lhe que a ia proteger de tudo. Que não a ia deixar nunca. Ia impedir que algum mal lhe acontecesse. Comigo estava segura. E isso não aconteceu. Ao contrário, a miúda teve de ficar uma noite no hospital pelo que eu só posso descrever como "falha" maternal. Eu estava ao lado dela e não consegui impedir nada.

Por isso sim, sinto que como mãe falhei. Falhei no meu único propósito, proteger a minha filha. Porque é isso que as mães fazem, as mães afastam o mal, são a segurança dos seus filhos. Para quem é que eles correm quando estão aflitos? Não é para a tia que dá chupas, é para a pessoa que sentem que lhes dá segurança, a mãe.

Ela continua a correr para mim, vá lá, ainda sente que nos meu braços está segura. Mas eu vou sempre sentir que falhei. Esta foi uma semana complicada. Imensos médicos: domingo, segunda, quarta, sexta... a miúda não pode ver ninguém de bata que chora! Foi a pior semana da minha vida, um pesadelo autêntico. Cada vez que olhava para ela continha-me para não chorar, estava ali a minha falha, a filha ia ficar marcada para sempre por minha culpa. Ainda que ela não se vá lembrar disto tudo, e comece a dormir mais tranquila, eu vou sempre saber e lembrar-me do que ela passou.

Sim sim eu sei, não foi culpa minha, teoricamente isso bate tudo certo. Mas como mãe, vou sempre sentir que falhei.

quarta-feira, 12 de outubro de 2016

O pior dia da minha vida

Não venho cá desde sábado, e a razão é muito simples, domingo de manhã a Laura foi atacada por um cão.

Íamos na rua, 9 da manhã, ela estava bem não estava a fazer nada e o cão do nada deu-lhe uma patada. O que vi primeiro foi sangue, imenso sangue. De seguida percebi que o sangue vinha do olho e ia ficando-me ali. Peguei nela e com a minha tia fomos a correr para o posto que era perto. Chegando ao posto, ela ainda chorava, entramos logo para a pequena cirurgia. A médica (a quem eu tenho de agradecer por ter sido tão amavel) diz-me com toda a calma que vamos ter de ir para Faro. Perguntou se eu queria um calmante, não quis acalmei-me sozinha, chamou a ambulância e lá fomos nós.

Chegando a Faro ela foi directa a triagem. O enfermeiro da triagem foi sempre amável e meigo com as duas. Não faço ideia de como eu parecia as pessoas mas devia Meyer medo. A roupa cheia de sangue, nervosa. E a Laura igual. Limpam-lhe a ferida e chamam a oftalmologia. O médico vem, eu tive de sair da sala. Enrolaram a Laura num lençol para que ela ficasse quieta, e observaram-na. O rasgão na pálpebra não tinha atingido o canal lacrimal e o olho aparentava estar bem, mas eu ia ter de ir para Lisboa. Não faziam cirurgias de oftalmologia sem marcação, e a menina não podia esperar.

14:30 saímos de Faro. Ela dormiu no caminha e chegámos a Lisboa por volta das 17:30. Entro para a triagem novamente. A minha família ficou à espera cá fora, e lá dizem que ela tem de ser vista pelo oftalmologista e cozida pelo cirurgião plástico. Vamos ao oftalmogista mas ele não consegue fazer bem o exame, por esta altura a Laura estava farta de médicos, e não saía do meu colo. Diz que o olho aparenta estar bem. Vamos para a pediatria esperar pelo cirurgião plástico. Ele observa-a e manda levá-la para o S.O. para ser cosida. Entro com ela às 19, a custo conseguem dar a anestesia, e dizem-me que tenho de sair. Esperei, esperei, esperei e nada. Pergunto por ela, não adormecia, estavam à espera. Perto das 21 dizem-me que está, mas ela nunca chegou a adormecer. Ainda chorava ligeiramente quando a vejo. Peguei-lhe ao colo apesar dos fios e sentei-me com ela na cadeira. 22 e qualquer coisa consegui finalmente que ela dormisse. A
Minha família foi para casa, eu fiquei ao lado dela numa cadeira no S.O.

Perto da 1 ela tinha fome, baixinha comido nada desde as 07:30 da manhã. Deram-me um biberon com leite, ela bebeu de seguida. Acordou as 3 para lhe darem o medicamento, e comeu bolachas, bebeu muita água e adormeceu de novo. Acordou as 7, alegre e a querer brincar. Ficou com a alcunha de a fera no hospital. Deram-lhe alta, e às 20 horas já estávamos de novo em casa. 

Ela está bem, o olho está negro e um pouco inchado. Mas ela está bem. Não vou entrar em pormenores sobre o cão porque o dono dele não precisa disso também. A minha filha neste momento está bem e feliz e é o que importa. O resto foi um pesadelo que ficou para trás. Não vou pôr fotos dela por uns tempos porque ainda choca um pouco, e custa-me, principalmente porque nestes 2 dias toda a gente apontava, olhava e fazia perguntas sobre o que tinha acontecido. Peço que entendam.

Obrigada a toda a equipa que nos atendeu, nas urgências daqui, no hospital de Faro, e no de Santa Maria. Obrigada aos bombeiros que nos trabsportaram, e principalmente ao bombeiro que nos levou para Lisboa por ter ligado a perguntar por ela. Só tenho de vos agradecer a todos pela calma e paciência que tiveram.
A vocês devo a vida dela 💖




quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Andar de carro sozinha

É um desafio, não vou brincar. Já vos falei logo no início do blog como era viajar com um bebé, mas aí referia-me a andar de avião. De carro acho que é mais complicado, principalmente se forem sozinhas.

Fazemos várias viagens de carro só as duas, quer dizer, as duas e a cadela...pelo que tenho de ser o mais prática possível.

A água: fica ao pé de mim, estico o braço ela bebe sozinha e depois paro o carro para lha ir tirar. E faço isto porquê? Porque dar água aos miúdos enquanto se conduz é perigoso, ainda para mais quando só temos 1,57cm e chegamos o banco todo à frente. Tiro-lhe a água para que ela não se molhe toda como já aconteceu tanta vez.

Levo a lancheira com comer: bolachas, fruta, queques...o que conseguir! Vai lhe dar fome a meio do caminho, se possível paramos, se não ela vai comendo.

Bonecos, levo sempre uns poucos. Façam barulho ou não desde que a distraiam.

Mudas de roupa, e é aqui que entra em acção a mala que fica no carro. Preciso de fraldas, tenho lá, toalhitas, roupa... Já me aconteceu a Laura vomitar no meio de nenhures, sentiu-se mal disposta, e ter de parar o carro, limpá-la com agua e toalhitas e vestir uma muda nova.

Chuhas, Normalmente uma fralda com 2 agarradas nas pontas. A história da fralda, um dia conto-vos.

E claro muita água, mesmo muita água!



Depois pomos música e vamos cantando as duas, e falando. Isto se ela for acordada que a minha filha é um cu de sono e ao fim de 2km já ressona.








segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Desfralde: a continuação

Não, não está a ser fácil.

Há dias que consigo que ela faça alguns xixis no bacio, mas há dias como p de ontem que ela não colabora.
Então foi assim: estou eu a fazer o almoço, quando não oiço nada. Silêncio, e todas nós sabemos que silêncio não é bom. Espreito da cozinha para a sala para ver o que ela estava a fazer quando me deparo com a Laura, sem fralda, é uma grande poça de xixi para onde ela estava a ir já com intenções de chapinhar.

Não, não está a ser fácil!

sábado, 17 de setembro de 2016

Karate a dormir

É isso mesmo que se passa aqui. A Laura é pro no karate, pelo menos quando dorme.

Fazemos co-sleeping, já há uns bons meses, quase todas as noites. O que acontece é que quando eu chego a cama e a desvio, visto que ela está a ocupar a cama em modo estrela do mar, assim que me deito lá vem ela aninhar-se. Até aqui tudo bonito e muito fofinho sim senhora. Mas e depois? 

Passado uma hora de estar deitada começa a aula de karate da miuda. Vai um braço na minha cara, um pé na minha boca, vira-se de cabeça para baixo na cama e põe os pés para a cabeceira. E eu ali espremida naqueles 20% da cama, sou o alvo para praticar. 

A meio da noite lá vem a cadela ter connosco (óptimo, eu tinha muito espaço livre). O que é que ela faz? Dorme lá no fundo da cama para que a Laura não a atropele a dormir. Estou a falar a sério, a sasha não dorme muito acima na cama senão a Laura atropela-a.

Mas dormimos bem. Volta e meia acordo com um grande mamãaaaaaaa e umas chapadinhas de amor. Faz parte!



Digam lá que não tenho jeito para o desenho?

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

É cumplicidade, amor, tanta coisa...

Não tenho outro nome a dar. Esta noite deitei-a e fui tratar das coisas que só consigo tratar quando ela dorme, como por exemplo comer sentada 5 minutos. Quando cheguei a cama ela dormia ferrada, deitei-me ao lado dela.

Não sei o que é, ela sente-me na cama e chega-se a mim, aninha-se, pede festas, ou faz do meu braço almofada. Tudo isto a dormir. Claro que 80% da cama é dela, e eu que me desenrasque naqueles míseros 20% que me restam. Portanto, aninhou-se a mim, procurou o meu braço para servir de almofada e assim ficou durante horas. 

Sabe bem, e sossega-me o facto de ela saber que ela é feliz e se sente protegida e amada. Não é isso o mais importante?

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Toda a mãe já fez

Pelo menos eu acho que toda a mãe já fez. Digam-me lá vocês se não.



Toda a mãe já:

Deitou o bebé na sua cama para poderem ficar na ronha mais uns minutos,

Limpou a chucha do bebé de alguma forma inventiva, quando caiu ao chão e não havia água canalizada perto,

Já limpou o nariz do filho com a própria roupa,

Teve preguiça de tomar banho quando o bebé estava a dormir,

Adiou passar a roupa a ferro,

Mentiu ao pediatra (só uma pequena alteração nalguma informação não tão importante),

Adiou dobrar a roupa,

Perguntou-se a si mesma se estaria a fazer o correcto,

Duvidou ser boa mãe,

Fez desaparecer ou tirou as pilhas a um boneco irritante (ai não),

Fingiu que não viu/ignorou o facto de o bebé ter feito xixi na banheira,


Digam lá de vossa justiça.





sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Estava tão enganada

Devaneios, é o que me dá a estas horas. (23:31 eu devia ir dormir...)

Ora, quando a Laura nasceu eu pensei "bolas (não foi bem isto mas vamos tornar o texto acessível a crianças), gastamos uma batelada de dinheiro com os miúdos. Fraldas, roupa, chuchas e biberons, mais roupa, a cama, o carro, o ovo... Vá lá que eles crescem e não vão precisar mais disto."
Tenho piada não tenho, estrava gravida. Hotmonas, não nos deixam pensar bem.

Andava tão enganada. Sim, não precisam mais mas sabes do que vão precisar?
Roupa,
Uma cadeira para o carro,
Uma cadeira de comer,
Mais roupa,
Sapatos,
Fraldas até sensivelmente os dois anos,
Roupa,
Casacos,
Mantas,
Roupa,
Um saco de maternidade que o teu não dura para sempre,
Loiça,
Já disse roupa?

Pois Neuza, pois é...
E sim, largam as fraldas é menos esse que gastas, mas comem mais, sujam mais, precisam de brinquedos. Sim que já não se entretém com o que lhes dás para a mão. Toca a gastar dinheiro em brinquedos adequados (ou não) para a idade dos miúdos. E digo ou não porque aqui por casa ela é uma às com o lego.

E depois há casos como o de hoje, vais ao supermercado e gastas dinheiro em bonecos que não precisam, ou vais às compras para ti e acabas por trazer roupa para ela. E porquê? Porque és mãe, e não controlas isso.

Enfim, devaneios...

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

As músicas dos miúdos

Ora deixa lá ver se me lembro de todos os que cantam:

Os caricas
A Xana Toc toc
A Palavra Cantada
Panda e os amigos
A Sónia Araújo...

São tantoooooos. Depois ainda há os filmes da Disney, que além das músicas também se decoram as falas
Mufaça: Olha Simba, tudo o que o sol ilumina é o nosso reino. (Isto fica para outro post).

Sim as músicas são giras, gostamos especialmente dos coloridos cá em casa. mas essa não é a questão. A questão é que ao fim do dia dá vontade de espancar quem se lembra dos ritmos. Andei 3 dias com o "tenho fome quero mais, quero muito muito mais" na cabeça!

Tento que ela não veja muita televisão, tento. Vê um filme de vez em quando e ouve algumas músicas. A verdade é que ela só fica quieta, e não é sempre, com a televisão, por isso imaginam o que faço não é? Claro, arruma-se a casa com a televisão acesa. Pocoyo, esse sim dá conta do recado.Admito, sou fã do Pocoyo! (Outro post Neuza, outro post).
A Xana Toc Toc não deixo ver, não deixo mesmo. Se eu há dias que já me apetece dar uma chapada aos caricas acho que tinha um surto com a Toc Toc.

Já agora, um devaneio, mais alguém reparou que algumas músicas dos miúdos são extremamente violentas? Exemplo: Atirei o pau ao gato-to-to mas o gato-to-to não morreu-eu-eu...(hã? Diga lá de novo faz favor) Não se atira paus aos gatos pessoas!

Acho piada a alguns admito, não vejo mal nos caricas se bem que penso que já foram melhores as músicas. As antigas são mais giras. Têm falta de letras mais inovadoras como já li uma vez.
Outras acho somente parvas, que raio é um trolipop? Não é suposto ajudar os múdos a falarem como deve ser amiga? E já agora tu arranja alguém que te ajude a escolher roupa porque credo.


Obs: há muita gente que não entende ironia no facebook, este texto foi escrito com ela.




sábado, 27 de agosto de 2016

Desfralde, o início

Ocasionalmente sentava a Laura no penico. Nunca fazia, com a excepção do primeiro xixi da manhã. 

Mas, de tanta gente me dizer "ela está na idade", resolvi tentar e...

E nada. Resolvi tentar ponto. Não está a correr bem. Senta-se a miuda e não faz, não fica, nem com bonecos nem nada. Filha com bicho carpinteiro querem o que? A minha mãe até um livro lhe comprou mas ela nunca foi fã de ficar quieta a ouvir histórias. Já disse que ela não fica quieta?

Agora, se os vossos miúdos gostam de ouvir histórias recomendo o livro, é muito giro Até as Princesas fazem Cocó/Até os piratas fazem Cocó.
Tras janelas para levantar e um calendário para marcar as vezes que foram ao penico. Para alguns miúdos é capaz de resultar.

Quanto a nós, vou insistindo...



Foi a melhor foto que tirei. A miuda não me deixa pegar no livro, mas também não fica quieta a ler!