quinta-feira, 30 de junho de 2016

Deixem-na ser

Deixem os miúdos serem miúdos. Deixem-nos crescer, brincar, berrar, gritar (são diferentes as duas ta), espernear, fazer birras, saltar.
As crianças têm de se sujar, estragar roupa, comer e sujar tudo, partir o vaso preferido da mãe (ou da avó, desculpa lá qualquer coisinha mãe). Se não os deixar-mos fazer isto acontece o quê? Temos múmias, ah sim múmias. Miúdos que não saem de frente da televisão, que reclamam que não querem brincar na rua. E reclamam porquê? Porque quando eram pequenos não iam à rua.

Sim eu sei, as ruas não são seguras como antes, ou talvez até sejam e só há mais conhecimento de tudo o que se passa hoje em dia! Mas temos de os deixar ser crianças. Tenho levado a Laura a passear ao parque, ainda não encontrei um que goste mesmo, e reparo que ela adora correr por lá. Ri-se alto quando vê os outros meninos mais velhos a correr também, acaba por não sair dali que fica a olhar, mas pronto, ao menos brinca um pouco na rua. Não digo para darem o lanche ao vosso filho de 4 anos e dizerem "vai para a rua", não. Mas para lhe dizerem "vamos à rua". Mais tarde talvez, aí com uns 12/13 anos já vá sozinho jogar à bola.

Lembram-se de irem ao parque? De irem jogar à bola? Às escondidas, apanhada...? Eu lembro. E de brincar na escola também. Mas tenho a sensação que os miúdos hoje em dia não sabem brincar a essas coisas. Passo pelo ciclo todos dias, e em vez de ver crianças a correr, vejo-os agarrados ao telefone. Epah, eu também gosto do meu telefone, mas mesmo na altura que já todos tínhamos telemóvel no secundário íamos jogar às cartas. Hoje em dia não, ficam ali a olhar para um ecrã na palma da mão e não falam uns com os outros. Conhecem melhor os "amigos" on-line que os colegas de turma.

Não é normal e não é saudável. Estamos a criar miúdos anti-sociais, estamos sim. Eu própria estou aqui a falar mas há dias que peço a minha filha por tudo que fique quieta 2 minutos em frente a televisão para eu poder despachar a casa. Pouso o telefone todos dias meia hora a uma hora no minimo para que brinquemos as duas. Sim porque já dei pela minha filha a olhar para mim que estava a escrever um texto para o blog, e não tirava os olhos do ecrã do telemóvel.

Temos de mudar, temos de mudar-nos a nós para que eles vejam o exemplo. Em minha casa não há telefones à mesa. E todos dias pouso o telefone, desligo a televisão e brincamos as duas no chão da sala um bocado. Depois corremos pela casa e brincamos às escondidas, ou à apanhada (ainda não percebeu muito bem porque corre para mim). E é assim que tem de ser, brincar com eles dentro e fora de casa.

Deixem os miúdos serem miúdos, não os queiram tão quietos.

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