quinta-feira, 16 de junho de 2016

O parto

Há meses atrás disse que falaria do meu parto aqui, e a verdade é que escrevi o texto mas nunca o publiquei.

Quando descobri que estava grávida da Laura, a primeira pessoa que me disse o dia exacto a que ela ia nascer foi a minha mãe, dia 23 de Janeiro. Fui à médica e coincidência ou não ela disse o mesmo. Chamem-lhe intuição se quiserem, a minha mãe apontou para o dia 23 de Janeiro e disse que a neta ia nascer naquele dia. Sabia isto tal como sabia que eu estava grávida de uma menina e não de um menino como me disseram.
Os meses passaram, a data de parto foi alterada e passou a dia 26 de Janeiro, mas a minha mãe continuava firme que era a 23. Por esta altura a minha irmã começa a dizer também que a miúda nascia a 21, creio que havia mudança de lua por esta altura, daí elas estarem as duas a apontar para estes dias. Comecei a dizer que a miúda ia estragar os planos das duas, e estava certa.
Ora o marido, sendo inteligente, apanhou uma bela de uma constipação 3 dias antes da miúda nascer. Ficou de cama, cheio de febre, e adivinhem lá o que aconteceu? Pois claro, eu apanhei também. Dia 20 de Janeiro dormi imensamente mal, cheia de dores nas costas, mal estar, febre... por essas razões dia 21 lá fui eu ao hospital (a minha irmã toda feliz quando eu ligo a dizer que talvez ficasse), mas mandaram-me para casa. Contracções irregulares, e sem dilatação. Medicamento para a gripe e repouso foi o que me disseram. Pensei para mim, bom amanhã tenho consulta, vou descansar.
Passei a noite a levantar-me, não dormi mais de uma hora seguida. Fui 50 vezes à casa de banho, coisas normais no final da gravidez quando já se está do tamanho de uma das luas mais pequenas de Júpiter como eu, e estava cheia de sede. De manhã estava imensamente cansada, sentia umas moínhas nas costas, a única maneira de explicar que tenho é dizer que pareciam aqueles aparelhos de massagens sobre os meus rins. Tomei o meu banho, despachei-me, as dores não passavam. Pensei "bom vou à consulta, a Dra diz-me o que é isto". Não, não me lembrei de cronometrar se seriam contracções, sabem porquê? Toda a gente me falava horrores das dores do trabalho de parto, e eu ali como se nada fosse. Chego ao hospital e lá vai a Neuza a casa de banho, e vejo sangue, "boa, já não volto a casa hoje, e eu que não trouxe a mala." Claro que me preocupei com isto, eu preocupo-me sempre com coisas sem nexo, preocupei-me com isto e em informar o Ricardo que ficou mais branco que a parede. Meia hora no ctg, contracções de 8 em 8 minutos, e eu como se nada fosse. 2 dedos de dilatação, solução da médica? Andar. Andei há volta do hospital o que me pareceu cerca de uma hora. Subo de novo, a médica dá-me o papel para fazer o internamento. Resta dizer que por esta altura eu estava grávida de 39 semanas e 3 dias, imaginem o grande que estava.


39 semanas


Chego ao quarto às 15:30, o Ricardo vai a casa buscar a minha mãe e irmã, e claro as malas não é? Lembrei-me lá eu das malas quando saí de casa, eu ia só à consulta. Visto aquela bata toda sexy, fico quieta na cama, vem a enfermeira. Tinham de me tirar sangue para saber se me podiam dar a epidural, porque eu tinha tido febre. Depois do trabalho dela feito ela sai e eu sinto algo a escorrer quente nas minhas pernas. Levanto o lençol e fiquei em pânico, as águas rebentaram, mas estavam castanhas, eu sabia o que era, mecônio! Chamei a enfermeira, ela acalmou-me pois a menina estava a ser monitorizada, não havia problema, se vissem que ela não estava bem era feita uma cesariana de emergência.

O Ricardo chega com a minha família, eu assustada, e por esta altura as moínhas já eram contracções a sério com espaços de 2 em 2 minutos. Não podia levar epidural sem ter o resultado dos exames. Mordi o lençol, dei um grito ao Ricardo para que se calasse pois o rapaz comentou as minhas contracções, e sinto algo escorregar em mim. Assustada digo a minha mãe que a Laura vai nascer. Vem a enfermeira, que me diz que é impossível, mas vai confirmar, e surpresa? A cabeça da Laura já estava mesmo ali. Chamam a médica, e eu espero. Espero 10 minutos, e não aguento mais, sentia a miúda a querer sair. A minha mãe destapa-me e vê sangue, chamam de novo a enfermeira. Avisam a minha médica, mas ela está numa consulta. Chama-se o médico das urgências as coisas estavam a acontecer muito depressa, preparam-me para ir para a sala de partos.

Chegando a sala de partos elas deitam-me de lado (coisa que eu devia ter estado sempre, mas com as contacções era impossível), dão-me a preparação para a epidural e passou tudo. Quais dores? A minha médica chega logo após isso, veste-se rapidamente. Fiz força 4 vezes, duas mal e por fim duas bem. A Laura nasce às 17:42, e não tive aquele momento lindo que todas as mães têm, em que a médica pousa o bebé recém-nascido em cima da mãe, o pai corta o cordão... não, eu não tive, porque a minha filha foi levada de mim. Lembro-me de a enfermeira que a levou dizer "Meu Deus que bochechas", mas não me podia mostrar a menina. Eu só queria ver a minha filha. Mas ela tinha de ser aspirada devido ao mecônio.
Finalmente oiço-a chorar. Primeira pessoa a sair da sala onde ela estava foi o pediatra, que olha para mim, sorri e diz "Tem mau feitio, é mesmo mulher". Ela sai de lá de dentro ao fim de 5 minutos, linda, já vestida. Com as maiores bochechas que eu já tinha visto na minha vida. Foi como se eu descobrisse finalmente o que era paz, amor, alegria. Deitaram-na sobre mim, e ela calou-se e abriu os olhos. Não vos sei explicar, mas ali naquele momento, eu sabia que tinha nos meus braços, alguém que eu ia amar incondicionalmente para sempre.

Ela nasceu felizmente saudável apesar do contratempo, com 3,165kg e media 47cm. Não tinha uma única ruga. Uns olhos enormes e cheios de amor, sem muito cabelo. Lembrou-me a minha irmã em bebé. Mamou pouco depois no recobro, e esta parte foi complicada, mas explico noutro dia noutro post.

Dia 22 de Janeiro de 2015, foi sem dúvida, o dia mais feliz da minha vida.


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